“Um amor feliz”

Hoje cumpria o meu ritual diário de tomar café depois do almoço, desta vez na Fnac. Na mesa deixaram a revista do Expresso, que não costumo ler, mas que folheei. Lá pelo meio, uma reportagem sobre Nicolas Berggruen, 51 anos, “o multimilionário idealista” é um dos solteiros mais cobiçados do mundo. Gostei de ler a história dele. Fazer dinheiro pelo dinheiro não é o objectivo. Um homem de trabalho que espera no fim da vida doar toda a sua fortuna. Solitário confessa que o maior falhanço da sua vida é não ter criado família, mas aparece fotografado com frequência ao longo dos anos ao lado de diversas beldades.

Salvaguardando as devidas distâncias, onde andam os homens decentes, interessantes e disponíveis deste mundo, hum? Aqueles capazes de nos arrebatar e de nos fazer querer construir uma vida juntos? Será que aparecem alguma vez na vida? Mais de uma vez na vida? Eu conheço vários, mais ou menos próximos, um deles cruzou um oceano no dia de anos dela para a surpreender e pedi-la em casamento. Caramba! Gosto de conhecer e ler estas histórias de vida, verídicas, que nos fazem acreditar que é possível, que um amor estável e feliz não é só coisa de filmes, que ainda persiste, apesar da tendência actual para a fugacidade e degradação das relações amorosas. Acredito que este não é o desejo de todas as mulheres e que não são menos ou mais por isso. Eu mesma já pensei de modo diferente. Acredito também que uma relação como a que descrevo é como “correr a maratona”, requer preparação de carácter, dedicação, amizade, auto-estima, entrega, capacidade de perdoar. Chamem-me ingénua, mas na minha opinião é ainda nos tempos que correm uma aposta em que o retorno ultrapassa em muito o investimento.

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3 thoughts on ““Um amor feliz”

  1. Olá

    de uma perspectiva histórica, o amor a que te referes é algo que está a surgir, e não algo que está em declínio.
    Há muito tempo as pessoas casavam-se com quem os pais escolhiam, e como as hipóteses de separação eram mínimas ou inexistentes, o relacionamento tinha que funcionar, pelo menos do ponto de vista material, para assegurar o bem-estar dos filhos. Mais tarde e bem mais perto da nossa geração deu-se uma mudança e as pessoas passaram a escolher com quem casavam. As escolhas eram guiadas por características tais como ser trabalhador, ter um emprego e uma situação económica estável, … Nos dias de hoje, em que temos acesso a praticamente um leque ilimitado de pessoas, dá-se o casamento por amor.
    Existem várias tendências concorrentes nesta evolução, mas creio que duas se destacam: a abundância de possibilidades e a tolerância da sociedade perante o fim do casamento. Isso fez com que as pessoas cada vez mais perocuram o perfeito e cada vez menos se contentam co o que têm. À primeira vista pode parecer contraditório com o surgimento do casamento por amor, mas não o é.

    • Olá A.Pois é, a emancipação das mulheres, o acesso à net e a facilidade em viajar tem contribuído muito pra isto. Sinais dos tempos.É engraçado saber que alguém vai lendo o que vou escrevendo por aqui, esteja ou não de acordo 🙂

    • Ah, só mais duas notas. Não falava sobre relações perfeitas ou pessoas perfeitas, porque não existem. Talvez a(s) pessoa(s) certas, é mais nisto que acredito. Noutro dia até ouvi alguém falar que a questão nem é procurar ou esperar a pessoa certa, mas mais procurarmos ser a pessoa certa para o outro. Enfim, mais umas achas para a “fogueira”. De qualquer das formas obrigada por uma resposta, e tão elaborada 🙂

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